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Big Brother TVI

Mariana, Raquel e o voto que a edição não previu

Duas expulsões, duas leituras opostas do mesmo fenómeno: o descolamento entre o storytelling do Big Brother Verão e o que o público realmente vota.

19 de julho de 20264 min de leitura
Imagem de capa para o artigo sobre Mariana Salgueiro e Raquel no Big Brother Verão.
Imagem de capa para o artigo sobre Mariana Salgueiro e Raquel no Big Brother Verão.

A Mariana Salgueiro foi expulsa do Big Brother Verão depois de a produção a ter montado, semana após semana, como protagonista e potencial vencedora. A Raquel foi salva em primeiro lugar na gala de hoje, apesar de ser trending topic no X pelos piores motivos. São o mesmo fenómeno — só que a puxar para lados opostos.

Uma protagonista que a produção não conseguiu proteger

O argumento da Mariana estava escrito: entrada forte, presença constante na edição, apontada por muitos como a possível vencedora. E, mesmo assim, foi a menos votada para ficar — a terceira expulsa, numa decisão que apanhou concorrentes e público de surpresa.

Saiu com noção de que não tinha sido ela quem falhara. Na entrevista que deu ao Dois às 10, disse tudo o que tinha para dizer sobre o jogo e sobre os colegas — sem se poupar, mas também sem amargura. Poucos dias depois, começaram a circular notícias de que a SIC já lhe andava a bater à porta.

Ou seja: perdeu o jogo, mas não perdeu o argumento. E, no mercado da televisão portuguesa, um argumento vale sempre mais do que um prémio em dinheiro.

A Raquel e a economia do ódio

Já sobre a Raquel escrevi antes aqui, quando tentei perceber o que estava por trás da personagem de "deusa tântrica" que ela construiu dentro da casa. Desde então, o comportamento dela em relação ao Nuno tornou-a trending topic no X — pelos piores motivos possíveis.

E, no entanto, foi a primeira a ser salva na gala de hoje. A conta dela no Instagram tem 6020 seguidores; a conta da "equipa" que a apoia de fora, 674. Não é uma fanbase enorme, nem de perto. O que ela tem é visibilidade — e visibilidade nem sempre é o mesmo que simpatia.

É esse o ponto que interessa: a produção não precisa de o público gostar de alguém para o manter em jogo. Precisa é que o público fale — e odiar mobiliza tanto ou mais do que amar. Talvez até mais: dá mais gozo, é mais fácil de partilhar, e não exige a ninguém que pense duas vezes antes de carregar no botão.

O que não se corrige

Há uma coisa que nem a Mariana nem a Raquel podem controlar: uma vez que a narrativa está montada — heroína injustiçada num caso, vilã da casa no outro —, corrigi-la é quase impossível. A desinformação espalha-se em segundos; a correcção, quando chega, já não interessa a ninguém.

Mesmo que a Raquel mudasse de figura amanhã — e há sinais de que já está a mudar —, duvido que isso alterasse a forma como as redes falam dela. Não porque as pessoas sejam incapazes de mudar de ideias, mas porque odiar dá sempre mais gozo do que rever uma opinião.

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